Conforme notícias divulgadas no sétimo informativo da Embrapa Pesca e Aquicultura e da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), as exportações brasileiras do setor totalizaram US$ 5,7 milhões no 3º trimestre de 2021, um aumento de 71% em comparação com igual período de 2020. No comparativo com o 2º trimestre de 2021, o crescimento foi de 43%. No acumulado de janeiro a setembro de 2021, as exportações já totalizam US$ 12,8 milhões, 10% maiores do que as verificadas em todo o ano passado (US$ 11,7 milhões).

“Acredito que as exportações de 2021 podem apresentar crescimento de, pelo menos, 15% comparadas com as do ano passado”, disse em nota o pesquisador na área de economia aquícola, Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com sede em Palmas-TO.

Cocari

Recentemente, a Cocari iniciou neste segmento com o projeto de Integração à Piscicultura, que fomentará a engorda, o abate e a comercialização de filés de tilápia, oferecendo oportunidade de diversificação de renda aos cooperados. A iniciativa passou pela etapa de recebimento de um abatedouro de peixes no município de Alvorada do Sul-PR, entregue pela prefeitura em regime de concessão, e a comercialização será desenvolvida com a Cooperativa Central Aurora Alimentos. Para a Cocari, o novo segmento gera maior demanda para elevar a produção de soja e milho dos cooperados, que são matéria-prima para a fabricação de rações fornecidas na nutrição dos peixes, trazendo benefícios para toda a cooperativa.

O superintendente Industrial da Cocari, Fernando Sepulveda, destaca que os bons resultados fortalecem a atuação no setor. “O mercado de exportação de pescados teve um aumento significativo no último trimestre, o que demonstra o fortalecimento do segmento. Este cenário favorável traz um movimento de investimentos em muitos locais para a ampliação do volume de produção, consolidando o Brasil como um potencial produtor e exportador para diversos países”, afirmou. “Destacamos ainda a gama de produtos que se exportam, o aumento significativo da venda de peixes inteiros congelados e de filés congelados, algo que demonstra uma evolução na diversidade de procura, principalmente nos Estados Unidos”, relatou o superintendente.

“Nosso projeto visa o atendimento ao mercado de exportação. Por isso, ressaltamos que seguimos com todo trabalho na consolidação da planta industrial para obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e investimentos em equipamentos que trarão a possibilidade de atuarmos também neste mercado futuramente”, contou Sepulveda.

Destaques

A tilápia é o principal produto exportado pelo Brasil. Entre os meses de julho e setembro deste ano, os embarques somaram US$ 4,9 milhões. Somando-se os três trimestres, as exportações brasileiras de tilápia alcançaram US$ 10,9 milhões, que significaram 85% do valor de todo o peixe exportado pelos produtores brasileiros no período.

Segundo Pedroza, “a posição da tilápia como principal espécie exportada é uma tendência consolidada e que deve se manter no médio prazo, apesar da perspectiva de crescimento das exportações de outras espécies como o tambaqui”. Tanto no 3º trimestre como em todo o ano, essa foi a terceira espécie mais exportada; entre o tambaqui e a líder tilápia, estão os curimatás, com 10% das exportações.

Entre as categorias de produtos exportados, os peixes inteiros congelados apresentaram os maiores volumes no 3º trimestre, com US$ 2,5 milhões e alta de 112% no comparativo com o trimestre anterior. Os filés frescos ou refrigerados foram a segunda categoria mais exportada, com US$ 1,3 milhão e aumento de 41%. Merece destaque o forte crescimento das exportações de filés congelados, com alta de 236%.

Exportadores e importadores

O Mato Grosso do Sul voltou a manter a posição de maior exportador de tilápia no 3º trimestre de 2021, com um total de US$ 1,9 milhão, representando aumento de 96,7% na comparação com o 2º trimestre. O Paraná aparece na segunda posição, com US$ 1,7 milhão, seguido pela Bahia, com US$ 802 mil.

O principal destino dos peixes exportados pelo Brasil neste ano são os Estados Unidos, com 54% dos produtos. Em valores financeiros, o montante representa US$ 7 milhões. Na sequência, vem a China, com mais de US$ 1,5 milhão ou 12% das exportações brasileiras. Comparando-se o 3º e o 2º trimestres de 2021, houve crescimento de 43% nos valores das exportações da piscicultura do país.

“Quanto ao mercado dos Estados Unidos, acredito que poderá haver diversificação dos destinos, o que pode reduzir a dependência das vendas para esse país. Por exemplo, temos verificado um aumento das exportações para países sul-americanos como Peru, Colômbia e Chile, que juntos já importam mais de 20% dos embarques da piscicultura”, avaliou o pesquisador da Embrapa.

No 3º trimestre de 2021, o déficit da balança comercial da piscicultura foi de US$ 193 milhões, sendo maior do que o registrado no 2º (US$ 169 milhões) e 1º trimestres (US$ 150 milhões). Esse aumento no déficit foi influenciado pelo crescimento das importações, que passaram de US$ 173 milhões no 2º trimestre para US$ 199 milhões no 3º trimestre.

Entre as principais espécies da piscicultura importadas pelo Brasil no 3º trimestre de 2021, o salmão apresentou o maior volume, com US$ 184 milhões, equivalendo a 90,3% do total importado. Os bagres (incluindo o pangasius) ocuparam o segundo lugar, com US$ 13,9 milhões, seguidos pelas trutas, com US$ 791 mil.

Redação C7 Comunicação, com informações do Canal Rural

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