No próximo domingo (08), é celebrado o Dia das Mães. Mãe é aquela pessoa que nos conhece profundamente, responsável pelos primeiros cuidados para garantir nosso bem-estar e segurança, e que ao longo da vida nos apoia nas batalhas pessoais e nos acolhe diante das adversidades. Mais do que um nome, mãe é quem assume esse papel de cuidadora, parceira e referência para os caminhos que escolhemos trilhar. 

Representando esse alicerce essencial na vida de qualquer pessoa, conversamos com Thais Angélica Cassero Campana, de família cooperada em Mandaguari (PR) e Emanuella Fernandes, colaboradora da Sede da Cocari. 

Uma grande notícia 

Thais é mãe das gêmeas Helena e Heloísa, de 1 ano e 3 meses. Ela contou como foi o momento em que descobriu que seria mãe. “Foi uma sensação maravilhosa, que não consigo descrever. Senti que comecei a amá-las desde o primeiro momento”, relata. Mas outra grande notícia a aguardava. “Fiz um teste de farmácia e deu positivo. No dia seguinte, fui ao laboratório fazer o exame de sangue e o resultado se confirmou. O número do hormônio HCG deu muito alto e todos foram ficando muito desconfiados. Na primeira consulta, o médico marcou o ultrassom para a semana seguinte e a médica que fez o exame começou a perguntar se tínhamos algum caso de gêmeos na família e se a gravidez tinha sido natural. Aí ela nos contou que eram dois bebês. Foi uma mistura de felicidade com medo, algo inexplicável. Reagindo a essa notícia, comecei a dar risada e não conseguia parar e o Paulo Henrique, meu companheiro, ficou muito emocionado. E parece que, em um primeiro momento, ficamos sem entender, a ficha não caía”, lembra.  

Thais Angélica Cassero Campana , com as filhas Heloísa e Helena, de família cooperada em Mandaguari (PR)

Nova rotina 

Como mãe, a rotina de Thais mudou completamente. “Eu casei e tive que parar de trabalhar para vir morar no sítio. Era mais tranquilo, porque cuidava da casa e me preocupava comigo e com meu esposo. Depois que elas nasceram, foi uma loucura, com dois bebezinhos chorando, noites sem dormir… Atualmente, cuido delas, cozinho, cuido da casa e, quando meu esposo precisa de algo, vou até a cidade para ajudá-lo, principalmente nas épocas de colheita e plantio”, relata.  

Recompensas da maternidade 

Thais conta que não é fácil se desdobrar para desenvolver suas tarefas, mas existe uma recompensa. “Me dividir entre ser mãe e esposa é difícil. Ser mãe ocupa a maior parte do meu tempo, acaba sendo a minha prioridade. Mas pequenos momentos fazem valer todo o esforço. Cuidar de duas bebês ao mesmo tempo é bem trabalhoso, mas na hora em que elas olham para mim e dão aquele sorriso, isso compensa todo o trabalho e o estresse da rotina”, destaca.  

Doce lembrança 

Um momento é lembrado com muito carinho por Thais. “Quando elas começaram a dar os primeiros passinhos, foi muito gratificante ver que elas nasceram com saúde e estavam se desenvolvendo conforme o esperado. Foi bem emocionante”, comenta.  

A mãe guarda sonhos para o futuro das filhas. “Espero que elas cresçam com saúde, sabedoria e que se tornem grandes mulheres”, diz. Para isso, ela sabe da responsabilidade de ser um exemplo para as filhas. “São pequenas ainda, não entendem muito, mas procuro sempre mostrar o que é certo”, acrescenta. 

Dia das Mães 

Thais comenta sobre a celebração do Dia das Mães com suas filhas. “É um sentimento diferente, porque agora compartilho o sentimento da minha mãe. Nos últimos dias, começamos a relembrar tudo, desde o nascimento. É muito bom. Nesta data, costumamos dar presentes, mas acho que ser presente na vida de nossas mães e pais é mais importante do que o presente material”, ressalta. 

“Desejo um feliz Dia das Mães a todas as mães da cooperativa. Acredito que somos todas muito guerreiras. Ser mãe é um papel muito difícil, não é o que nós vemos na televisão, nas novelas… É trabalhoso, mas também é muito gratificante. Que Deus nos abençoe e nos dê discernimento para criar nossos filhos no caminho do bem”, disse. 

Luto na maternidade 

A fisioterapeuta Emanuella Fernandes é colaboradora da Sede da Cocari, em Mandaguari (PR) e também é mãe de duas meninas, Valentina, de 4 anos, e Antonella, de 2 anos. Sua trajetória como mãe começou com uma experiência inesperada. “Para falar da maternidade, tenho que voltar ao ano de 2016, quando engravidei do meu primeiro filho, que se chama Pedro e que viveu comigo durante sete meses de gestação. Tive uma perda tardia e ele faleceu devido a uma doença que eu tenho e eu não sabia que eu tinha, que é a trombofilia, uma condição genética relacionada à coagulação do sangue. No meu caso, perdi o Pedro por causa de uma trombose na placenta. Durante a gestação, fizemos os tratamentos indicados, tudo certinho, mas infelizmente não tivemos êxito. Quando descobrimos a gravidez, não somos preparados para o luto. Você se prepara para a vida e não ao contrário. Depois que perdi meu filho, foi um processo de luto bem doloroso, não foi fácil, mas a gente aceita o que passa, não quer dizer que a gente supera”, conta. 

Sonho de ser mãe 

Aproximadamente um ano depois, a família encontrou mais uma chance para realizar o sonho de ter uma criança. “Pesquisando tudo o que eu tinha, com vários médicos fechando o diagnóstico, descobri um médico que me tratou não só como uma paciente, mas como uma pessoa mesmo. Fez um tratamento individualizado e foi mais do que um médico. Foi um ginecologista, obstetra, psicólogo e amigo. Soube entender a fragilidade da gestação, pelo medo de acontecer tudo de novo, e um ano depois, eu consegui engravidar da Valentina, que foi meu bebê arco-íris. Ela veio depois de todo esse tempo de luto e foi uma gravidez bem complicada, psicologicamente falando, por ter passado por todos os medos novamente, medo de perder, de acontecer tudo de novo. Fizemos o mesmo tratamento e havia chance de dar errado novamente… Mas mesmo com todas essas condições, foi uma gestação tranquila. Ela veio com 37 semanas, um pouquinho antes, saudável, espoleta, a alegria da minha vida”, conta. 

A colaboradora da Cocari, Emanuella Fernandes, com as filhas Valentina e Antonella

Um ano e três meses depois, Emanuella iniciou uma nova gestação, da caçula, Antonella. “Foi uma gestação mais tranquila, porque eu sabia que poderia dar errado, mas tinha tudo para dar certo. Fizemos todos os tratamentos, tudo o que estava ao nosso alcance. Atualmente, a família não é completa, mas o colo é cheio”, define. 

Um novo maternar  

Quando Emanuella pôde vivenciar o sonho de ser mãe, seu olhar sobre a maternidade tinha se tornado mais leve. “A visão que tenho atualmente é diferente depois da gestação do Pedro. Percebo que estamos condicionados a viver sempre no automático e a visão que tenho é um pouco mais leve, sem tanta cobrança, estando mais presente na vida das meninas. A mãe tem uma carga de trabalho um pouco maior, porque tem que trabalhar, dar conta dos afazeres domésticos e dos filhos, mas nunca vi isso como uma dificuldade, é sempre algo prazeroso, porque eu quis viver a maternidade. Eu tinha sede de viver essa experiência”, relata. 

Vida profissional  

A fisioterapeuta conta que consegue separar a vida profissional da maternidade. “Como profissional, me dedico inteiramente ao trabalho durante minha jornada diária. Em casa, o tempo todo é dedicado para minha família. Consigo manter esse equilíbrio. É como se eu vestisse uma roupa de mãe e outra de funcionária”, explica.  

Grande alegria 

“Ser mãe, para mim, é realizar um sonho e, além disso, é poder me dedicar a algo que eu amo: a criação, a educação, a estar presente na vida delas. O nascimento de cada uma das minhas filhas, no centro cirúrgico, foi um dos momentos mais felizes para mim. Ver que deu tudo certo, foi a realização de um sonho mesmo”, considera. 

Apoio a outras mães 

Para Emanuella, que passou por uma perda gestacional, o luto trouxe uma importante lição. “O momento mais desafiador da minha maternidade foi aceitar o luto e ver que nem tudo está sob nosso controle: nos dedicamos, mas não depende totalmente de nós”, avalia. 

Ela comenta sobre o valor de dividir essa experiência com outras mães, para que elas se sintam mais amparadas. “Para mim não é fácil falar, mas a sociedade não nos prepara para o luto. Sempre vemos a família perfeita e, quando vem esse obstáculo… Depois que eu perdi, descobri que isso é muito frequente. Acredito que falar sobre isso sirva para trazer mais informação e mostrar que essas mulheres não estão sozinhas”, destaca. 

“Quero que as mães percebam o quão importante elas são, o quanto é linda a maternidade e essa dedicação tão especial que desenvolvemos. Colocar uma pessoa no mundo e amá-la, independentemente de qualquer coisa, é muito gratificante. Desejo a todas as mães um dia muito especial com suas famílias. Quer você tenha gerado ou adotado, ou se ainda está buscando o sonho de ser mãe, desejo que você seja feliz dentro da maternidade que tanto almeja”, diz. 

Redação Cocari 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *